Fatores
Psicológicos
Antes de falarmos sobre a tristeza,
precisamos definir os tópicos que distinguem este sen-
timento da depressão.
A tristeza é um sentimento intrínseco
ao ser humano. Todas as pessoas estão sujeitas a tristeza.
É a ausência de satisfação pessoal
quando o indivíduo se depara com sua fragilidade. Enquanto
a depressão é a raiva e a vingança digerida
na pessoa. Na prática, é uma tentativa de devolver
para os outros o que existe de pior em si.
A raiva existente na depressão é
resultado da total falta de vitalidade e motivação.
Existe também uma infantilização, onde o
indivíduo induz o ambiente a ampará-lo e dedicar
atenção exclusiva a ele. A depressão inibe
a coragem de enfrentar os desafios; regride a busca do prazer
e contamina o ambiente a sua volta.
A tristeza não chega aos limites citados
na situação depressiva. Pelo contrário, é
uma ferramenta valiosa para avaliação das metas
de vida. Na infância, o modo de encarar a tristeza será
definitivo para estabelecer a personalidade adulta.
Infelizmente,
na cultura ocidental não valoriza-se os aspectos emotivos.
Assim, um indivíduo se desenvolve crendo que a tristeza
é um sentimento negativo, que fragiliza e expõe
a personalidade. Por exemplo, uma pessoa insatisfeita num âmbito
social sente-se triste, mesmo não tendo uma concepção
nítida do que é a tristeza. Neste momento cria-se
uma dívida com o próprio passado; o elemento sente
que poderia ter aproveitado melhor as outras oportunidades que
teve, e que agora o fazem um homem fracassado.
O descaso com os valores humanos acabam por expor
o homem contemporâneo ao negativismo, e a busca excessiva
pelos bens materiais e status social, compensa a carência
sentimental, mas por outro lado, contamina e deturpa a noção
de humanismo. Neste caso, a tristeza é apenas uma bússola
que aponta a área emotiva mais afetada. Porém, outros
sentimentos como o medo e a inveja funcionam como um alerta ao
modo de vida desumano. A aceitação do fracasso e
da fragilidade fica comprometida, já que o indivíduo
direciona o motivo dos seus insucessos a outras causas, quando
na verdade seriam apenas conseqüências. Portanto, fica
claro que existe uma "auto-sabotagem".
O egoísmo exacerbado, no qual o homem é
induzido desde a infância, produz um vazio pessoal. Porém,
o bem-estar esta diretamente ligado a satisfação
alheia. Se não houver a solidariedade, ou seja, a profunda
preocupação com o próximo, o citado "vazio
da personalidade" irá expandir-se. A tristeza ocupa
este espaço e desmotiva o indivíduo a dar continuidade
na busca de qualquer outro valor.
Outro fator que fortemente desencadeia a tristeza
é a recusa. A dificuldade em aceitar o "não"
torna-se desmotivante e abala a auto-estima. Por outro lado, a
rejeição e a incapacidade frente a alguns obstáculos
leva a quadros mais sérios e profundos da tristeza.
Várias correntes de discussão psicológica
determinam os ganhos secundários do estado de sofrimento.
É notório que o indivíduo que sofre, desperta
comoção no ambiente, neste caso a atenção
dispensada por outros faz com que o indivíduo sinta-se
acolhido. Cultivar a tristeza é apenas fazer a manutenção
desse estado de atenção e acolhimento despertada,
é manter-se afastado e protegido da competitividade e ambição
que norteiam a sociedade contemporânea. Mas na maioria das
vezes, a solidariedade e o altruísmo são hipócritas,
porque a necessidade da auto-superação e status
social faz com que o sentimento de comoção seja
verdadeiro, mas o apoio sincero é substituído pelo
prazer na derrota alheia. Assim, esta afirmação
é concretizada pelo fato de que o assistencialismo não
supre as carências afetivas; é apenas um retórico
inconsciente que absolve a obrigação da solidariedade.
Geralmente os indivíduos que sofrem de tristeza
tem como característica básica de personalidade,
impor a sua solidão pessoal para todas as pessoas que encontrarem
no decorrer de suas vidas; como uma vingança contra seu
sentimento que o martiriza. Assim, tornam-se retraídas,
ciumentas e possessivas. Na questão sentimental, impõem
ao parceiro uma eterna espera pela doação de seu
lado afetivo.
Embora muitas vezes sofremos com determinados relacionamentos,
sabemos que a perda pode nos custar ainda mais caro. O maior obstáculo
para qualquer tipo de mudança é a desconfiança
quase que absoluta em nosso potencial, gerando um receio imenso
sobre se conseguiremos construir algo; se os ventos estarão
ou não a nosso favor; se o destino ainda poderá
nos reservar um mínimo de satisfação perante
todo o pesadelo diário em que muitas pessoas vivem.
A
face da tristeza
Quando
uma pessoa está triste, percebe-se um certo alongamento
na face como se estivesse sendo puxada para baixo. A cabeça
pode inclinar-se um pouco em um dos ombros. Além disso,
geralmente a pessoa tem o rosto pálido e sem cor. Surgem
também rugas horizontais na testa. Os cantos interiores
das sobrancelhas se erguem, e as pálpebras superiores podem
se abaixar. Unida a esse conjunto, a boca tem os seus cantos levemente
caídos. Quando o queixo se eleva fica ainda mais marcante
a descida da boca.
Por
Spectrum