Edgar Allan Poe nasceu em Boston,
no dia 19 de Janeiro de 1809. Seu avô David Poe participou
da Guerra da Independência, e seu pai (também chamado
David Poe) apaixonou-se pela atriz inglesa Elisabeth Arnold, casando-se
com ela. Edgar Allan Poe teve dois irmãos e seus pais faleceram
pouco tempo depois do nascimento de Rosalie, a filha mais nova
do casal. Porém, não ficaram desamparados e foram
adotados pelo rico casal John Allan e Frances Keeling Allan.
Poe
estudou em Londres na Stoke-Newington; algum tempo depois continuou
seus estudos de volta a Richmond, na Universidade Charlotteville.
Allan Poe, apesar de muito inteligente era também muito
genioso, e isto lhe valeu a expulsão desta universidade.
Edgar Allan Poe era um jovem aventureiro, romântico,
orgulhoso e idealista. Continuou seus estudos em Virgínia,
mas também foi expulso por não se enquadrar nos
padrões comportamentais daquela época. Na verdade,
Allan Poe era um boêmio que vivia no luxo, se entregando
à bebida, ao jogo e às mulheres. Mais tarde, foi
para a Grécia e ingressou no exército lutando contra
os turcos.
Porém, suas ambições militares
não vingaram, e perdeu-se nos Balcans chegando até
a Rússia, sendo repatriado pelo cônsul americano.
De volta a América, descobre que sua mãe adotiva
havia falecido.
Logo após, alista-se num Batalhão
de artilharia e matricula-se na Academia Militar de West Point.
Mas com o lançamento de uma compilação de
poesias em 1831, desliga-se da Academia e corta relações
com seu pai adotivo, devido ao casamento com outra mulher, o que
teria deixado Poe muito contrariado.
Aos 22 anos, vivendo na miséria, publica
Poemas. Já em Baltimore procura pelo irmão
Willian e assiste a morte dele. Allan Poe passa a viver com uma
tia muito pobre e viúva com duas filhas. Durante dois anos
vive em miséria profunda. Mas vence dois concursos de poesias
e o editor Thomaz White entrega-lhe a direção do
"Southern Literary Messenger".
Em 1833 lança Uma aventura sem paralelo
de um certo Hans Pfaal. Dirige a revista por dois anos. Allan
Poe gozava de uma certa reputação com leitores assíduos.
Depois de sua vida estabilizada, aos 27 anos casa-se com sua prima
de 13 anos, Virgínia Clemn. No ano de 1838 trabalha na
Button’s Gentleman Magazine na companhia de sua esposa.
O casal vivera na Filadélfia, Nova York e Fordham. Em 1847,
sofre com a morte de sua esposa vitimada pela tuberculose.
Em 1849, Allan Poe lança O Corvo.
Eureka e Romance Cosmogônico lhe atribuem
a fama necessária para provocar a censura da imprensa e
da sociedade. Desiludido, volta para Richmore e depois vai para
Nova York e entrega-se à bebida. Antes de seguir para a
Filadélfia, resolve encontrar-se com velhos amigos. Na
manhã seguinte, Poe é encontrado por um amigo em
estado de profundo desespero, largado numa taberna sórdida,
de onde o transportaram imediatamente para um hospital. Estava
inconsciente e moribundo. Ali permaneceu, delirando e chamando
repetidamente por um misterioso "Reynolds", até
morrer, na manhã do domingo seguinte, aos 39 anos e deixando
uma vasta obra em sua vida de sacrifícios e desordem. Era
7 de outubro de 1849, e os Estados Unidos perdiam um de seus maiores
escritores. Até hoje não se sabe ao certo o que
tenha acontecido naquela noite. Teria o autor, sido vítima
da loucura que em tantos contos narrou? Muitos afirmam que tenha
sido vítima de uma quadrilha que o envenenou, mas o mais
certo é que tenha tido uma overdose de ópio.
Poe
escreveu novelas, contos e poemas, exercendo larga influência
em autores fundamentais como Baudelaire,
Maupassant e Dostoievski. Mas admite-se que seu maior talento
era em escrever contos. Escreveu contos de horror ou "gótico"
e contos analíticos, policiais. Os contos de horror apresentam
invariavelmente personagens doentias, obsessivas, fascinadas pela
morte, vocacionadas para o crime, dominadas por maldições
hereditárias, seres que oscilam entre a lucidez e a loucura,
vivendo numa espécie de transe, como espectros assustadores
de um terrível pesadelo. Entre os contos, destacam-se O
gato preto, Ligéia, Coração
denunciador, A queda da casa de Usher, O poço
e o pêndulo, Berenice e O barril de amontillado.
Os contos analíticos, de raciocínio ou policiais,
entre os quais figuram os antológicos Assassinato de
Maria Roget, Os crimes da Rua Morgue e A carta
roubada, ao contrário dos contos de horror, primam
pela lógica rigorosa e pela dedução intelectual
que permitem o desvendamento de crimes misteriosos.
Em seus contos, Poe se concentrava no terror psicológico,
vindo do interior de seus personagens ao contrário dos
demais autores que se concentravam no terror externo, no terror
visual se valendo apenas de aspectos ambientais.
Geralmente, os personagens sofriam de um terror
avassalador, fruto de suas próprias fobias e pesadelos,
que quase sempre eram um retrato do próprio autor, que
sempre teve sua vida regida por um cruel e terrível destino.
Nenhum de seus contos é narrado em terceira pessoa, desse
modo, vê-se como realmente é sempre "ele"
que vê, que sente, que ouve e que vive o mais profundo e
escandente terror. São relatos em que o delírio
do personagem se mistura de tal maneira à realidade que
não se consegue mais diferenciar se o perigo é concreto
ou se trata apenas de ilusões produzidas por uma mente
atormentada.
Em quase todos os contos, sempre há um mergulho,
em certas profundezas da alma humana, em certos estados mórbidos
da mente, em recônditos desvãos do subconsciente.
Por esses aspectos a psicanálise lança-se ao estudo
da obra de Poe, já que a mesma possui uma grande leva de
exemplos que ilustram suas demonstrações. Independentemente
desse aspecto, sua obra é lembrada pelo talento narrativo
impressionante e impressivo, pela força criadora monumental
e pela realização artística invejável,
fazendo com que Edgar Allan Poe seja considerado um dos maiores
autores de contos de terror.
Por Spectrum
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