Penumbra

 

 

Transpiro saudade pelos ossos

A face pálida, por vezes rubra

Denuncia a penumbra

E o sofrimento nos meus olhos

 

Por que não cala-te

E adormece nesse peito?

Ó! Espectro de luz...

Carrasco do meu silêncio

 

Leva! Afasta de mim

Os vestígios dessa lembrança

De quem chora pela ausência

E teme pela distância

 

Porque minha alma

Não suporta tanta angústia

Porque meu lamento

Aos teus ouvidos é música

 

E aqui nesse claustro

Prisioneiro de mim mesmo

Me desfaço com o medo

Enlouqueço... Adormeço...

 

Por que tu és fogo que não arde

És paisagem fria e morta

És saudade que me invade

Destrói... Devora...

 

Não lembro quantos sorrisos

Cabiam em meu rosto

Tanto ardor! E quanto desejo!

Mas tu levaste todos...

 

Se Deus soubesse

Da minha existência

Não iria permitir

Tuas ofensas...

 

Por que me torturas

E não me condena?

Por que não me abandona

E me deixa morrer de tristeza?

 

Meu corpo é meu templo

É o resto em ruínas

É esquife do espírito

Que renuncia à vida...

 

Tu és a voz profana

Que ecoa em meus ouvidos

É a noite, é meu drama

Meu ritual de suicídio

 

Transpiro saudade pelos ossos

A face pálida, por vezes rubra

Denuncia a penumbra

E o sofrimento nos meus olhos...

 

 

Rodrigo Q.

rodrigo@spectrumgothic.com.br