Ária às Almas

 

 

Eu venho aqui cantar para as almas,

Arranhar a lira soturna dos lamentos.

É nesta hora nefasta que a dor em mim preside,

Assim como vermes sobre a carne podre.

 

Esses espectros que semeiam minhas angústias,

Abafadas pelo silente desespero de quem busca a morte,

São a vil personificação de meus demônios.

Que me devoram a cada instante com iniqüidade.

 

Fatidicamente vilipendiado, nasci do gene dos seres sofredores.

Vítima do atavismo medonho de minha estirpe,

Sucumbi-me ao jugo da solidão perene.

 

Escutem, infaustas almas, meu canto de agonia:

Quis eu, a ventura de Endimião,

Passar a vida sob sono perpétuo...

 

 

Bruno Ribeiro

bmoriturus@yahoo.com.br